Eu sou do tempo em que só havia duas religiões: católica e protestante. Pelo menos lá, na cidadezinha em que vivia, somente estas duas religiões existiam.
E havia um grande respeito entre os fiéis. Nos domingos, todos vestindo roupas novas, iam para o culto ou para a missa. Na saída das celebrações, todos se cumprimentavam elegantemente, espiavam as roupas uns dos outros, passeavam um pouco na praça, que ficava entre as duas igrejas, e depois iam para casa preparar o churrasco.
O pastor e o padre eram considerados autoridades, tanto que eram sempre convidados a participarem das mesas oficiais, em solenidades públicas, juntamente com o Prefeito, o Juiz de Direito, o Comandante da briosa Brigada Militar, o Chefe dos escoteiros, o Delegado de policia, , entre outras autoridades que agora não me ocorrem.
No entanto, eu me recordo com muita clareza, que eu ia à missa (era católica) todos os domingos, fizesse sol ou chuva, e comungava, pois no sábado à tarde já havia confessado os meus pecados ao padre, mas, sinceramente, nunca havia parado para pensar no que estava fazendo.
Os nossos pais mandavam fazer tal coisa, e fazíamos, sem contestar.
Durante algum tempo eu agi assim, aleatoriamente, como um robô.
Um dia, sem mais nem menos, me peguei pensando naquela atitude. Mas afinal, a troco do quê eu ia à missa, se nem sabia o que ali se passava, nem entendia nada do que o padre falava, naquele seu latim murmurado, e ainda por cima, de costas para o povo?
Me vi, então, finalmente contestando uma atitude que haviam me mandado tomar.
Me dei conta que, ano após ano, eu havia escutado o padre ler e pregar o evangelho lá em cima do púlpito (sim, o padre subia lá numa casinha grudada na parede da igreja, para falar aos fiéis) e nunca havia parado para pensar no que ele dizia.
Na verdade, lembro que era sempre a mesma coisa. O nascimento de Jesus, sua morte estúpida, lembrada exaustivamente em quadros na parede da igreja (aliás, de um mau gosto enorme!) e outras historinhas que, da maneira como nos eram apresentadas, não tinham atrativos algum.
E parei de ir à missa. Naquela época eu já tinha uns quatorze anos, e meus pais não contestaram minha atitude.
Segundo seu pensamento, eu já havia sido batizada, crismada, freqüentado um bom tempo os cultos e, afinal, já estava grande o suficiente para saber o que estava fazendo.
Ufa! Ainda bem que, pelo menos comigo, não houve ladainhas a escutar. Já algumas amigas daquela época não tiveram a mesma sorte. Mas isso não vem ao caso, nesse momento.
E me dei conta, após a iluminada decisão, que meus pais nunca foram à igreja.
Me mandavam ir, mas ficavam em casa.
Perguntei a eles, então, porque não iam à missa. E me responderam que, lá nos idos de sua juventude, assim como eu, haviam decidido serem apenas católicos, porém não praticantes.
E você, que religião pratica?
Ou só tem uma, sem praticar?
Já parou para pensar se o que você faz (ou não faz) está de acordo com o que você pensa?
E havia um grande respeito entre os fiéis. Nos domingos, todos vestindo roupas novas, iam para o culto ou para a missa. Na saída das celebrações, todos se cumprimentavam elegantemente, espiavam as roupas uns dos outros, passeavam um pouco na praça, que ficava entre as duas igrejas, e depois iam para casa preparar o churrasco.
O pastor e o padre eram considerados autoridades, tanto que eram sempre convidados a participarem das mesas oficiais, em solenidades públicas, juntamente com o Prefeito, o Juiz de Direito, o Comandante da briosa Brigada Militar, o Chefe dos escoteiros, o Delegado de policia, , entre outras autoridades que agora não me ocorrem.
No entanto, eu me recordo com muita clareza, que eu ia à missa (era católica) todos os domingos, fizesse sol ou chuva, e comungava, pois no sábado à tarde já havia confessado os meus pecados ao padre, mas, sinceramente, nunca havia parado para pensar no que estava fazendo.
Os nossos pais mandavam fazer tal coisa, e fazíamos, sem contestar.
Durante algum tempo eu agi assim, aleatoriamente, como um robô.
Um dia, sem mais nem menos, me peguei pensando naquela atitude. Mas afinal, a troco do quê eu ia à missa, se nem sabia o que ali se passava, nem entendia nada do que o padre falava, naquele seu latim murmurado, e ainda por cima, de costas para o povo?
Me vi, então, finalmente contestando uma atitude que haviam me mandado tomar.
Me dei conta que, ano após ano, eu havia escutado o padre ler e pregar o evangelho lá em cima do púlpito (sim, o padre subia lá numa casinha grudada na parede da igreja, para falar aos fiéis) e nunca havia parado para pensar no que ele dizia.
Na verdade, lembro que era sempre a mesma coisa. O nascimento de Jesus, sua morte estúpida, lembrada exaustivamente em quadros na parede da igreja (aliás, de um mau gosto enorme!) e outras historinhas que, da maneira como nos eram apresentadas, não tinham atrativos algum.
E parei de ir à missa. Naquela época eu já tinha uns quatorze anos, e meus pais não contestaram minha atitude.
Segundo seu pensamento, eu já havia sido batizada, crismada, freqüentado um bom tempo os cultos e, afinal, já estava grande o suficiente para saber o que estava fazendo.
Ufa! Ainda bem que, pelo menos comigo, não houve ladainhas a escutar. Já algumas amigas daquela época não tiveram a mesma sorte. Mas isso não vem ao caso, nesse momento.
E me dei conta, após a iluminada decisão, que meus pais nunca foram à igreja.
Me mandavam ir, mas ficavam em casa.
Perguntei a eles, então, porque não iam à missa. E me responderam que, lá nos idos de sua juventude, assim como eu, haviam decidido serem apenas católicos, porém não praticantes.
E você, que religião pratica?
Ou só tem uma, sem praticar?
Já parou para pensar se o que você faz (ou não faz) está de acordo com o que você pensa?