8 de março de 2009

É gratificante estar vivendo a era digital.
Quando comecei trabalhar, o que tinha de mais moderno eram as máquinas elétricas. Lembro que quem tinha acesso a elas era privilegiado, porque eram muito caras. Mas era um luxo, na época, dispor delas, porque não se precisava mais quebrar os dedos batendo nas máquinas antigas (nem lembro como se chamavam) e quando se errava o texto, elas apagavam o engano, e o trabalho ficava perfeito. Era um show!
Gente, como esse mundo evoluiu.
Quando apareceram os computadores, eu sentei em frente a um deles e pensei: não vou aprender a mexer nisso nunca.
Porém, com a ajuda de um curso rápido e de alguns colegas já treinados na coisa, quando me vi, estava escrevendo.
O que acontece hoje é que, são tantas coisas novas para se aprender a lidar, tantos nomes novos para decifrar e descobrir o que são e pra que servem, que quase desisti de novo, de continuar aprendendo.
Mas vale a pena acompanhar tudo o que acontece.
E, claro, tendo filhos que se propõem a te ensinar, com uma paciência de Jó diante da lerdeza do aluno, acabamos por seguir em frente.
Estou aqui, com um blogue, faceira da vida, escrevendo o primeiro texto.
Ainda não sei quase nada dos procedimentos, mas vou aprender.

7 de março de 2009

Qual é a sua religião?

Eu sou do tempo em que só havia duas religiões: católica e protestante. Pelo menos lá, na cidadezinha em que vivia, somente estas duas religiões existiam.
E havia um grande respeito entre os fiéis. Nos domingos, todos vestindo roupas novas, iam para o culto ou para a missa. Na saída das celebrações, todos se cumprimentavam elegantemente, espiavam as roupas uns dos outros, passeavam um pouco na praça, que ficava entre as duas igrejas, e depois iam para casa preparar o churrasco.
O pastor e o padre eram considerados autoridades, tanto que eram sempre convidados a participarem das mesas oficiais, em solenidades públicas, juntamente com o Prefeito, o Juiz de Direito, o Comandante da briosa Brigada Militar, o Chefe dos escoteiros, o Delegado de policia, , entre outras autoridades que agora não me ocorrem.
No entanto, eu me recordo com muita clareza, que eu ia à missa (era católica) todos os domingos, fizesse sol ou chuva, e comungava, pois no sábado à tarde já havia confessado os meus pecados ao padre, mas, sinceramente, nunca havia parado para pensar no que estava fazendo.
Os nossos pais mandavam fazer tal coisa, e fazíamos, sem contestar.
Durante algum tempo eu agi assim, aleatoriamente, como um robô.
Um dia, sem mais nem menos, me peguei pensando naquela atitude. Mas afinal, a troco do quê eu ia à missa, se nem sabia o que ali se passava, nem entendia nada do que o padre falava, naquele seu latim murmurado, e ainda por cima, de costas para o povo?
Me vi, então, finalmente contestando uma atitude que haviam me mandado tomar.
Me dei conta que, ano após ano, eu havia escutado o padre ler e pregar o evangelho lá em cima do púlpito (sim, o padre subia lá numa casinha grudada na parede da igreja, para falar aos fiéis) e nunca havia parado para pensar no que ele dizia.
Na verdade, lembro que era sempre a mesma coisa. O nascimento de Jesus, sua morte estúpida, lembrada exaustivamente em quadros na parede da igreja (aliás, de um mau gosto enorme!) e outras historinhas que, da maneira como nos eram apresentadas, não tinham atrativos algum.
E parei de ir à missa. Naquela época eu já tinha uns quatorze anos, e meus pais não contestaram minha atitude.
Segundo seu pensamento, eu já havia sido batizada, crismada, freqüentado um bom tempo os cultos e, afinal, já estava grande o suficiente para saber o que estava fazendo.
Ufa! Ainda bem que, pelo menos comigo, não houve ladainhas a escutar. Já algumas amigas daquela época não tiveram a mesma sorte. Mas isso não vem ao caso, nesse momento.
E me dei conta, após a iluminada decisão, que meus pais nunca foram à igreja.
Me mandavam ir, mas ficavam em casa.
Perguntei a eles, então, porque não iam à missa. E me responderam que, lá nos idos de sua juventude, assim como eu, haviam decidido serem apenas católicos, porém não praticantes.
E você, que religião pratica?
Ou só tem uma, sem praticar?
Já parou para pensar se o que você faz (ou não faz) está de acordo com o que você pensa?